“Depois da viagem, longa, cansativa, mas muito emocionante , chegamos finalmente a paris. Não me recordo propriamente de chegar á estação de comboios, nem de apanhar os transportes para ir para casa. Nem me sequer recordo do impacto que terá causado em mim o facto de estar numa cidade daquela dimensão.
Mas se há algo que se mantêm bem vivo na minha memoria , é o momento em que chegamos a casa. A casa que já era o lar da minha família, mas que só a partir de então passaria a ser o meu!. Era um verdadeiro palácio! Para mim, claro, uma vez que aquilo era apenas um humilde apartamento dos subúrbios , um terceiro andar com vista para um amontoado de outros prédios.. Mas tinha televisão, casa de banho, electricidade em todas as divisões! Ou seja tinha tudo que a casa onde eu vivia em Armadouro não tinha! O que era perfeitamente normal nas casas das grandes cidades eram para mim , luxos imagináveis! Televisão em casa? Agua quente canalizada? Casa de banho? Varanda? A relva parada em frente ao prédio? Carros estacionados na rua? Lembro me de pensar que tinha acabado de chegar a um mundo completamente diferente daquele a que eu estava habituado!
olhar para tudo aquilo era para mim a certeza que a minha vida seria muito melhor as partir daquele momento junto da minha família, a viver num palácio, num pais muito mais moderno e evoluído que Portugal!
No entanto, apesar de todas as vantagens que França tinha em relação a Portugal, não posso dizer que os primeiros tempos tenham sido fáceis. Alias, nenhum emigrante português teve uma vida fácil em França. Para conseguir algo na vida, todos tiveram a trabalhar arduamente sob condições muito precárias! E a minha família, como é evidente não foi excepção . Depois do impacto inicial que tudo aquilo teve em mim depois do estado de embriagues em relação a tudo o que me rodeava e que consistia numa novidade permanente depressa tire de descer de novo a terra para me confrontar com essa mesma realidade difícil a que me refiro e outras questões para as quais não podia estar preparado!”
Assim define o nosso cantor de sonhos a sua chegada a Paris..